sexta-feira, 19 de junho de 2009

HISTORIA DA EMBALAGEM







A história da embalagem no Brasil vai do simples barril de mantimentos no século XIX e mera condição contentora evoluindo aos substratos e equipamentos de ultima geração, resultados de pesquisa e desenvolvimento em todos os elos da cadeia. Sem falar no premiado design, reconhecido mundialmente.
Em “Embalagem, Arte e Técnica de um Povo- Um estudo da embalagem brasileira”, edição comemorativa dos 50 anos da Toga, em 1985, sugere que lembrar o passado é reunir experiências vividas, delas tirando proveito para o presente e para o futuro e a embalagem brasileira como uma solução individual ou coletiva dos brasileiros, enquanto história da evolução tecnológica da embalagem industrial.
Antes de resolver as equações do presente e do futuro é preciso olhar para trás. O passado ensina e só avança quem conhece sua própria trajetória.
É grande o desafio das empresas: lidar com a globalização de mercado, com a competição acirrada e com a similaridade tecnológica e, assim, garantir a expansão das empresas. Ao designer de embalagem cabe criar boa parte das ferramentas que serão utilizadas como diferencial nesta competição.
Em um levantamento de algumas embalagens antigas e de suas histórias, verificou que, em muitos casos, elas têm na verdade sofrido diversas modificações ao longo do tempo, mas tão sutis que passam desapercebidas aos olhos do consumidor.
Num Mundo de tantas mudanças, e tão aceleradas, com imagens fugazes e passageiras, essas embalagens trazem ao consumidor o conforto do conhecido, mas nem por isso menos sedutor. Para as empresas que as possuem, representam verdadeiros patrimônios visuais que se traduzem em muito dinheiro, pois passa signos de contabilidade.
Às vezes é uma letra que se inclina, ou um splash que é acrescentado. Outras vezes as mudanças são técnicas, envolvendo tipos de impressão ou o tipo de material utilizado.
"É mais ou menos como o Fusca", compara Auresnede Stephan, professor de design. "Desde que foi desenhado pelo Ferdinand Porsche até o modelo que ainda hoje é produzido no México, várias mudanças ocorreram, mas a estrutura básica foi mantida". Produtos e embalagens clássicos, na verdade, mudam para permanecer iguais - e ter o mesmo apelo de sempre.
Não o apelo da nostalgia, das coisas paradas no tempo. Mas aquela característica tão perseguida e difícil de "fabricar" que é falar ao coração do consumidor, mexer com a sua memória afetiva.
A história da embalagem no Brasil, do simples barril de mantimentos no século XIX e mera condição de contentora evoluiu aos substratos e equipamentos de última geração, resultados de pesquisa e desenvolvimento em todos os elos da cadeia. Sem falar no seu premiado design, reconhecido mundialmente. Entretanto, antes de resolver as equações do presente e do futuro é preciso olhar para trás. O passado ensina e só avança quem conhece sua própria trajetória.

Nações Amigas
Em 1808, a Corte Portuguesa transfere-se para o Brasil, num total de 12 mil pessoas. Portugal havia sido invadido por Napoleão no final de 1807 por ter rejeitado o bloqueio continental decretado pela França contra o comércio com a Inglaterra.
Chega em janeiro à Bahia e depois segue para o Rio de Janeiro, onde instala a sede do governo. Entre as primeiras decisões tomadas por Dom João VI está a abertura dos portos às nações amigas. Com isso, o movimento de importação e exportação é desviado de Portugal para o Brasil. A medida favorece tantos os ingleses, que fazem de Portugal a porta de entrada de seus produtos para a América Espanhola, quanto os produtores brasileiros de bens para mercado externo. Dom João VI também concede permissão para o funcionamento de fábricas e manufaturas no Brasil.
Durante o período colonial, o Brasil esteve proibido de praticar qualquer atividade produtiva que competisse com Portugal ou prejudicasse os interesses da metrópole. Por isso, os primeiros esforços importantes para a industrialização no País ocorrem somente na segunda metade do século XIX, no Império, como por exemplo a fábrica do português Francisco Ignácio da Siqueira Nobre, na Bahia, em 1810, que produzia vidros lisos, de cristal branco, frascos, garrafões e garrafas.
Durante o Segundo Reinado, empreendedores brasileiros como Irineu Evangelista de Souza, o Visconde Mauá, e grupos estrangeiros, principalmente ingleses, investem em estradas de ferro, estaleiros, empresas de transporte urbano e gás, bancos e seguradoras. No final do século XIX e ínício do século XX surgem as primeiras indústrias no País.
Por utilizarem uma tecnologia mais simples e exigirem menos capital, em geral, elas eram voltadas para a produção de bens de consumo. Segundo recenseamento realizado em 1907, o Brasil estava com 3.120 estabelecimentos industriais, a maior parte deles – 662 – instalada no Rio de Janeiro.
Alguns anos antes, a expansão cafeeira, com a substituição da mão-de-obra escrava por imigrantes estrangeiros, impulsionou a construção de ferrovias e a exportação do café para Europa e Estados Unidos. Na década de 30, suplantadas as dificuldades, São Paulo tornou-se a vanguarda da industrialização e da modernização brasileira. Paralelamente a expansão agrícola (café, cana-de-açucar, soja, milho, feijão, trigo, banana, laranja), o Estado de São Paulo teve extraordinário desenvolvimento industrial.
Floresceu a industria de transformação, de aço, cimento, máquinas e componentes, e principalmente as industrias de bem de consumo, como tecidos, alimentos, remédios, higiene e limpeza, e bens duráveis, como automóveis e eletrodomésticos.
Manoel Vieira, fundador e primeiro presidente da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), conta no artigo Síntese de cinco décadas de embalagens no Brasil, Integrante do livro “Embalagem, Arte e Técnica de um Povo”, que até 1945, eram relativamente poucos os produtos de primeira necessidade, produzidos no Brasil, comercializados pré-acondicionados. Entre esses estavam café torrado e moído, açúcar refinado, óleo de semente de algodão, extrato de tomate em latas pequenas, vinagre, cerveja e guaranás. Além desses produtos, havia goiabada, marmelada, sardinhas e manteiga em latas litografadas. A presuntada e as salsichas vinham em latas com rótulo de papel.

Marco
Nessa época da vida brasileira: “A produção no País era caseira e a embalagem mal tinha a função de proteção, era só um recipiente.” Durante séculos tudo o que havia eram os ancestrais do barril, cuja função consistia meramente em conter e proteger o conteúdo. “os produtos, incluindo os perecíveis, eram pesados no balcão e vendidos a granel”, acrescenta.
Os produtos, incluindo os perecíveis, eram pesados no balcão e vendidos a granel. O grande divisor de águas no desenvolvimento das embalagens – não só no Brasil como no resto do mundo – foi o desenvolvimento do comércio.
O sistema de compra era rudimentar: a pessoa ia ao armazém, pesava os produtos e usava um saquinho para levar o alimento para casa. A grande revolução na industria da embalagem foi quando ela teve de vender tudo o que continha. Na visão dele, o fato contribuiu para a evolução das técnicas de impressão e para a origem do conceito de marca.
A marca nasceu para identificar o fabricante, porém, colocada na prateleira dos supermercados distinguia um produto do outro. A embalagem é o grande veículo da marca, é a marca concentrada, a síntese do produto, pois a embalagem não serve para nada sozinha, ninguém compra embalagem vazia. Para o consumidor, a embalagem é o produto; ele não separa uma coisa da outra.
Outro fator que propiciou o desenvolvimento da embalagem no Brasil: o auto-serviço. Mais do que o surgimento do supermercado, foi a instalação do auto-serviço que obrigou a embalagem a agregar em si a função de comercialização.
Na década de 60 havia entre 80 e 100 estabelecimentos classificados como supermercados no Brasil, representando 3 a 5 % das vendas. Era quase nada, pois o pequeno varejo detinha a maior parte das comercializações. Cinqüenta anos depois, os supermercados chegam a mais de 45 mil e certamente abrangem mais de 70% do dinheiro que circula no meio.
Por isso, não podia ser diferente: a embalagem tem que comunicar a venda do produto. São poucos segundos disponíveis para ver, escolher e comprar; o tempo é um fator precioso.
A partir da Segunda Guerra Mundial, quando os supermercados se instalaram nas grandes cidades, surgiram inúmeras inovações na produção de embalagens, que deveriam permitir que os produtos fossem transportados dos locais onde eram fabricados, ou colhidos, para os grandes centros consumidores, mantendo-se estáveis por longos períodos de estocagem.

A partir da Segunda Guerra Mundial, os supermercados se instalaram nas grandes cidades, impulsionando inúmeras inovações na produção de embalagens.


A partir daí, a embalagem começou a proteger a mercadoria no transporte e nasceu a função de proteção. Assim, a embalagem tem de conter, proteger, distribuir, vender e promover.
Na fase do supermercado, ocorre uma explosão de consumo de embalagens: além de conter, ela teve de começar a vender, é o que se chama de “Sales appeal” (apelo de vendas). A embalagem assumiu o papel do vendedor.
O advento da marca própria é outra conseqüência da proliferação dos supermercados. Foi um acontecimento internacional, onde a embalagem tem papel fundamental, sendo o único veículo de comunicação da marca própria.
Pode ser oferecida mais barata ao consumidor porque não requer investimento em design nem em desenvolvimento da embalagem. É dessa etapa também o aparecimento do código de barras, que resultou em novos desafios para todos os tipos de embalagem, inclusive as flexíveis. A impressão deste código na embalagem devia ser precisa para permitir a leitura automática nos caixas de supermercados.
Nessa fase é que surgem produtos e embalagens genuinamente brasileiros.


Ate a industrialização, o velho e bom saquinho de papel foi a principal embalagem dos produtos de consumo, que até então, eram vendidos a granel.




Cartaz do guaraná Antarctica de 1928. Nesse ano, a Companhia Antarctica Paulista já tinha incorporado a fábrica de cerveja Bavária e dominava o mercado do guaraná



Publicidade do creme dental Kolynos, publicada na Revista Careta (RJ) em novembro de 1939.
A invasão da Polônia, em 10 de setembro do mesmo ano, dá início a Segunda Guerra Mundial



Embalagem do Café Seleto de 1948. O café torrado e moído foi um dos primeiros produtos produzidos no Brasil e comercializado pré-acondicionado



O português e químico Eduardo Augusto Gonçalves chegou ao Brasil em busca de oportunidades. Depois de passar por outros estados, desembarcou em Joinville (SC) para gerenciar a Farmácia Delitsh, em 1912.
Em 1915, um ano depois de desenvolver a formulação do produto, a Pomada Minancora foi registrada no Departamento Nacional de Saúde Pública. A marca é uma referência à deusa grega da sabedoria, Minerva, acrescida da palavra âncora, que significa a permanência definitiva em solo brasileiro. A deusa Minerva segurando uma âncora, símbolo de segurança e compromisso.
A Pomada Minancora – em sua tradicional embalagem laranja de 30 g- mantém-se no mercado desde a fundação da empresa, há 87 anos, pela qualidade de sua formulação e pela eficácia dos resultados (tem ação antiséptica, antipruriginosa e adstringente, seca e cicatriza rapidamente espinhas, frieiras e outras afecções cutâneas) é utilizada por gerações de brasileiros.
A estrutura de formulação foi tão bem estudada na época do lançamento, que poucas foram as modificações realizadas na embalagem do produto. A principal aconteceu em 1992, quando houve a mudança do tipo de estrutura de embalagem, passando de folha-de-flandres para plástico, visando com isso uma melhoria na qualidade e no design do produto.




O antiácido Leite de Magnésia de Phillips é vendido desde 1911, em frascos de vidro azul. A partir de 1959, a Cisper passa a fornecer as embalagens azuis, em função do seu desenvolvimento tecnológico, que também passou por mudanças.
Pressionada pelos concorrentes, a SmithKline Beecham, fabricante do produto, redesenhou a embalagem plástica, trocou a antiga tampa de pressão por outra de rosca e colocou rótulos adesivos. Além disso, lançou a opção com sabor hortelã. A gerência de produtos da empresa garante que há pesquisas mostrando que sete em cada dez famílias brasileiras possuem pelo menos um frasco de Leite de Magnésia em casa.
Fonte : www.glaxo.com.br- Revista Isto É, julho 97






Sabor que resiste ao tempo
Criada em 1886, em Atlanta, nos Estados Unidos, a Coca-Cola só chegou ao Brasil em 1942, em um esforço de guerra determinado por Robert Woodruff, na época.
Durante a II Guerra Mundial, ele assegurou aos soldados norte-americanos que, onde quer que estivesses, poderiam tomar uma Coca-Cola gelada pelo mesmo preço de 5 cents e com o mesmo sabor.
Foi assim que o refrigerante desembarcou em Recife (PE) que, junto com Natal (RN), formou o “Corredor da Vitória’, uma parada obrigatória de todos os navios que rumavam para a Europa em guerra.
Para entregar aos pracinhas, o refrigerante era produzido inicialmente na Fábrica de Água Mineral Santa Clara, em Recife, até serem instaladas minifábricas naquela cidade e em Natal. Na realidade, as minifábricas são apenas kits com os equipamentos básicos para a produção de refrigerantes
A primeira fábrica de verdade foi instalada na então capital, Rio de Janeiro, no bairro de São Cristóvão. Em 1943, a Coca-Cola abre em São Paulo sua primeira filial no País. Em 1945 é inaugurada a segunda fábrica carioca, também em São Cristóvão, mas com uma novidade : uma máquina Liquid 40, capaz de produzir 150 garrafas por minuto e uma lavadeira. Nesse mesmo ano, a empresa inicia no País o sistema de franquia, com a primeira licenciada a produzir o refrigerante em Porto Alegre,RS.





Em São Paulo, ocorre o primeiro passo, em 1959, para implantar o conceito de vasilhame em casa e a venda em domicilio. Um grupo de simpáticas jovens percorre as casas e promove a degustação da bebida. Com os vasilhames em casa, fica mais fácil ter sempre à mesa uma Coca-Cola, novidade que conquistou em definitivo as donas de casa. Era a Coca-Cola família que chegava. Na virada da década, início dos anos 60, a companhia lança o produto na garrafa média, 290 ml. De 1957 a 1962, com o avanço tecnológico e o surgimento de fornecedores de matérias-primas, o concentrado, até então importado, passa a ser feito no Brasil, no Rio de Janeiro (em 1990 passaria a ser feito em Manaus – AM). Neste mesmo período, várias fábricas são inauguradas no Brasil.
No final da década de 60, o país já conta com mais de 20 fábricas de Coca-Cola, que num esforço extraordinário abastecem todo o território nacional. Os anos 70 chegam com uma inovação: as máquinas post-mix, que oferecem ao consumidor a Coca-Cola fresquinha, feita na hora, servida em copos. No mesmo ano, outras quatro máquinas são instaladas em estabelecimentos cariocas, oferecendo maior economia de esforço e tempo: com uma máquina no balcão e um tanque de aproximadamente 63cm3 é possível servir o equivalente a 400 garrafas médias de refrigerante.
Em 1988, a empresa inunda o mercado brasileiro com várias novidades. Primeiro, as embalagens one way, depois, a tampa com rosca, que abriu espaços para outras embalagens maiores, que dificilmente poderiam ser acondicionadas em pé nos refrigeradores convencionais. No final dos anos 80, o sistema Coca-Cola já tem 36 franqueados no País.
Em 1988, a Coca-Cola também relança as misturas com ainda mais sofisticação e realismo: um miniengradado para cada esis garrafinhas. Seis milhões de miniaturas são disputadas avidamente pela legião de fãs do refrigerante. Inicia-se a década de 90 e a fabricante coloca no mercado a Big Coke (dois litros) e a embalagem 1,251. Em junho de 90, lança a lata de alumínio 100% reciclável para toda a sua linha de produtos.
Pouco tempo depois, chega ao mercado a maior revolução em termos de embalagem dos últimos 50 anos : a Super Família, garrafa plástica retornável de 1,5 l que, além de prática, atende as exigências da legislação internacional de proteção ambiental.
O Brasil saiu na frente a adotar a embalagem, após a Alemanha e a Holanda. Em 1992, a Coca-Cola comemora 50 anos de atividade no Brasil com mais uma iniciativa pioneira: lança no País as Coke Machine- máquinas de vender refrigerantes em lata.
Primeiro refrigerante light do País, a Coca-Cola light foi apresentada ap público em 1997. Quatro anos mais tarde, em 2001, a famosa garrafa contour de 237 ml, marca registrada da Coca-Cola criada em 1916, é relançada no mercado brasileiro para reforçar autenticidade e exclusividade da marca.

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