terça-feira, 23 de junho de 2009

PARANÁ, MEU PARANÁ!


Não vou perder tempo dizendo se sou ou não paranaense, se sou ou não deste lugar, pois na verdade nunca ninguém perde tempo, é impossível perder tempo, é o tempo que faz perder as coisas. Nada para no tempo, Paraná.
Já me falaram muito sobre esta terra – Terra Boa, Terra Rica, Terra Roxa, Terra Vermelha, onde se vê o paradoxo de existir uma Floresta e uma Florestópolis, o Mato Rico e a cidade que para existir precisa derrubá-lo, transformando tudo em um Campo Largo, onde se produz um vinho homônimo que bebemos à noite para no dia seguinte sentir a mais forte ressaca, e como dói esta ressaca, Candói.
Como diz aquele samba de Zé Kéti, se perguntarem por mim, diz que fui pra Uraí. Talvez atrás de Jussara, minha primeira namorada, Palmas para ela. Ouvi dizer que aqui existe um lugar onde é sempre feriado: Primeiro de Maio. Quando eu era criança, costumava perguntar a meu pai por que ninguém trabalhava no Dia do Trabalho. Menino, eu sonhava com uma semana composta apenas de sábados, como deve ser em Sabáudia. Hoje eu quero um ano, dez anos, um século apenas de quintas-feiras, quintas sem-lei, como em Quinta do Sol. Será que Jussara fica por perto, ou quebrou tudo e se mudou pra Astorga?
Não sei, garota, acho que vou para Califórnia, viver a vida sobre as ondas, vou ser artista de cinema e conseguir um Bom Sucesso. Lá darei meu grito de Ipiranga. Mas o tempo, mesmo assim, não vai me deixar. Ainda que eu chame toda a tropa de bravos guerreiros: Coronel Vivida, Coronel Domingos Soares, Capitão Leônidas Marques, General Carneiro, Marechal Cândido Rondon e Almirante Tamandaré. O tempo vence qualquer tropa. Nada de novo sob o Céu Azul.
Esta minha Contenda com o tempo é tão sofrida que às vezes penso em acabar com tudo jogando-me do Espigão Alto do Iguaçu, do Salto do Lontra ou até do Marmeleiro. Nessas horas, conto com meu amigo Marquinho, que sempre me ajuda, dando-me uma Nova Esperança.
Mesmo com esses ataques de melancolia, gosto de viver aqui. Não é nenhum Paraíso do Norte, mas em certos dias lembra um Rancho Alegre.
Em Cambé, sabe como é, há domingos de calor, como sói acontecer em Kaloré, em que chamo meus Dois Vizinhos para pescar. Pegamos uma Balsa Nova, daquelas que serviam para atravessar o Tibagi no tempo da colonização, e vamos aos Grandes Rios. Depois, mesmo que não dê peixe, voltamos à Cidade para tomar um Chopinzinho. Estas pescarias sempre foram tranqüilas, exceto pelo dia em que vimos uma Cascavel. Saímos correndo e só fomos parar em Borrazópolis, onde bateu uma tremenda Saudade do Iguaçu.
Para ganhar tempo, sem jamais ganhar do tempo, leio a Bíblia. Tudo é vaidade e Ventania que passa, diz o Livro do Eclesiastes. Que o digam Santa Cecília do Pavão, Lindoeste e Uniflor, lugares em que os habitantes vivem fazendo o maior Farol da própria beleza. Mas não me deixo levar pelas aparências. Para mim, o que importa é a beleza interior, não se a pessoa tem uma Mercedes ou um Diamante do Norte. Vejo as coisas por esse Ângulo. Para mim, tanto faz a pessoa pertencer à Realeza ou fazer o Faxinal.
Agora, deixando de conversa fiada, voltemos ao assunto principal: o tempo. Esse inexplicável fenômeno sempre renasce, como a Fênix ou as Arapongas. Para me livrar do terrível dilema, procuro uma resposta, talvez uma resposta simples como o ovo de Colombo. Estará a resposta do tempo oculta dentro do próprio nome, como em Braganey? Precisarei viajar ao estrangeiro, indo a Paraná City? Adiantará jogar Pérola aos porcos, armar um Barracão, pedir auxílio numa oração ao querido São João, São João do Caiuá, São João do Ivaí, São João do Triunfo? São João disse que não, isso é lá com Santo Antônio da Platina, Santo Antônio do Caiuá, Santo Antônio do Paraíso, Santo Antônio do Sudoeste.
O que fazer deste escriba, Curitiba? De mim, o que será, Maringá? Por que não me respondes, Pequena Londres, Londrina!!!!


FONTE: PORTAL RPC

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